Prosa&Verso
Referências de vida.
"agora eu era o rei.
Era bedel, era também juiz
E pela minha lei,
a gente era obrigado a ser feliz"
João e Maria -
Chico Buarque
Admirável Mundo Novo
Quem resume bastante bem esse livro é a Advogada, Especializada em Ciências Sociais - UEM - Maria Clara Corrêa Tenório no seu artigo (veja no Google) O Admirável Mundo Novo: Fábula Científica ou Pesadelo Virtual? Cujo resumo é o que se segue:
O cientificamente possível é eticamente viável? O Admirável Mundo Novo, escrito por Aldous Huxley em 1931 é uma “fábula” futurista relatando uma sociedade completamente organizada, sob um sistema científico de castas. Não haveria vontade livre, abolida pelo condicionamento; a servidão seria aceitável devido a doses regulares de felicidade química e ortodoxias e ideologias seriam ministradas em cursos durante o sono. Olhando o presente, podemos imaginar um futuro semelhante em termos de avanços tecnológicos. Será ele de excessiva falta de ordem, da ordem em excesso preconizada por Huxley ou já vivenciamos o pesadelo virtual de Matrix, a fábula cinematográfica atual?
O Tempo e o Vento - Érico Veríssimo
Nessa trologia Érico Veríssimo, ao mesmo tempo em que nos conta a formação do estado do Rio Grande do Sul, narra uma história de amor entre uma mulher fundamental - Ana Terra - e um aventureiro incontrolável - Rodrigo Cambará.
Gente forte, situações limites, misturas de tipos, nascimento de um pedaço de uma raça.
Dá o que pensar.
A arte cavalheiresca do arqueiro Zen
Foi escrito pelo filósofo alemão Eugene Herrigel que foi professor da Universidade Tohoku e estudou com o mestre arqueiro Awa Kenzou a arte do tiro com arco Zen.
Creio que pode ser muito útil para reconhecer que há outros modelos mentais segundo os quais se pode tentar entender o mundo à nossa volta.
Os Dragões do Éden - Carl Sagan
O livro combina antropologia, biologia evolucionária, psicologia e ciência da computação para mostrar a evolução da inteligência humana.
Sua leitura me ensinou que podemos acionar conhecimento adquirido anteriormente e mostrou também o quanto é maravilhosa a aventura do aprendizado.
SAI BABA - O Homem dos Milagres de Howard Murphet
Para melhor sintetizar o que sinto sempre que leio um trecho desse livro, recorro às palavras do autor:
"Este livro é dedicado a duas clases de leitores; a primeira, leitores estes para os quais as maravilhas, os mistérios e os milagres da vida despertam um profundo interesse; a segunda, a dos buscadores de iluminação espiritual que ainda não encontraram aquilo que procuram"
Sinto-me enquadrado no primeiro grupo, porque minha vida tem sido plena de milagres. Certamente não por causa de meu merecimento e sim por excesso de misericórdia.
A Montanha Mágica – Thomas Mann
A Montanha Mágica é uma história sobre o tempo. Ou pelo menos foi assim que o senti. Pessoas vivendo num sanatório para tuberculosos na Suíça servem com suas pequenas histórias ao objetivo de narrar essa fábula impressionante. Quando o trem sobe o caminho nevado que leva ao sanatório, o leitor começa a refletir junto com Joachim - o personagem central - sobre como será aquele novo tempo e não para mais até a conclusão de que aquela é realmente uma montanha mágica que transforma as pessoas e as faz viver mais intensamente e as prende num sentido e liberta em outro.
Noites Antigas – Norman Mailer – Editora Nova Fronteira
Lendo sobre as vidas de Menenhetet no Egito da 19ª e 20ª dinastias (1290-1100 aC), qualquer pessoa pode refletir sobre suas próprias vidas e aprender que, para mudar de plano, quase sempre é preciso ser cocheiro,conselheiro íntimo do faraó, general, chefe de harém, mágico, médico, sacerdote. Menenhetet envolve-se em intrigas políticas, guerras, violência, muito sexo e magia. E enquanto acompanhamos suas aventuras podemos refletir sobre os aprendizados que tivemos com as nossas.
O Homem dos Dados
O Homem dos Dados, escrito pelo professor de psicologia George Cockcroft e publicado nos anos 70, é uma comédia. Conta a história de um psicanalista que inventa o jogo de rolar os dados para escolher como deve agir a cada momento ou que personalidade interpretar por determinado espaço de tempo. O autor desenvolveu e disse que praticou o jogo de verdade, como maneira de escapar das características que não lhe agradavam em seu caráter. A Teoria dos Dados propõe, para salvação do ser humano, virar a vida de ponta-cabeça, tornando suas ações resultado do sorteio entre uma variedade de caminhos possíveis, usando para isso a ferramenta básica da probabilidade: lançar um dado. O sorteio aleatório, sem restrições, permite, segundo o autor, que aflorem em nós as múltiplas personalidades que mantemos subjugadas.
Quantas facetas de nossa personalidade têm grande potencial, mas ficam aprisionadas na censura que impomos por temor ou simples erro de avaliação?
I Ching
“É curioso que um povo tão dotado e inteligente como o chinês nunca tenha desenvolvido o que chamamos de ciência. Nossa ciência, entretanto, é baseada no princípio da causalidade, o qual é considerado uma verdade axiomática. Mas uma grande mudança está ocorrendo em nosso ponto de vista. O que a “Crítica da Razão Pura” de Kant não conseguiu, está sendo realizado pela física moderna. Os axiomas da causalidade estão sendo abalados em seus fundamentos; sabemos agora que o que denominamos leis naturais são meramente verdades estatísticas que supõem necessariamente exceções. Ainda não nos apercebemos que necessitamos do laboratório com suas decisivas limitações para demonstrar a validade invariável das leis naturais. Se deixarmos a natureza agir, veremos um quadro muit
o diferente: o acaso vai interferir total ou parcialmente em todo o processo, tanto assim que em circunstâncias naturais, uma seqüência de fatos que esteja em absoluta concordância com leis específicas constitui quase uma exceção.” (trecho do prefácio de C.G.Jung para a primeira edição da tradução inglesa do I Ching)
O I Ching é uma poderosa ferramenta de auto-conhecimento. Dizem que também funciona como oráculo. Seus textos contêm conselhos que têm sido buscados pelos chineses através dos séculos.
Parece significativo que Jung tenha aceitado escrever o prefácio para a primeira edição da tradução inglesa.
O que me encanta nele é sua delicadeza e o mistério que entrevejo nos hexagramas.
Gostoso de ler. O livro antigo me tem feito companhia por um pedaço do caminho.