Foi o meu amigo Cláudio Galperin quem me sugeriu que essa frase soava como título de um texto, particularmente em se tratando de mim que nasci em Rio Bonito.
A frase, parte das notícias sobre as chuvas de fim de ano e suas conseqüências desastrosas, reportava a morte de uma criança num desabamento no “meu” Rio Bonito; uma cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro na direção da Região dos Lagos a cerca de 50 minutos de Niterói.
Na minha lembrança Rio Bonito é uma cidade pacata, onde Chicão e eu aprendemos a ler e estudamos catecismo. Onde havia um time de futebol chamado Motorista F.C. e onde viviam os amigos do papai.
Saímos de lá em 1949 para trabalhar na pensão da Tia Zula, em Niterói e regressamos umas poucas vezes, em férias escolares para visitar vovó Ponilha e amigos.
Papai sempre disse que queria ser enterrado em Rio Bonito, mas como também dizia que não tinha onde cair vivo, porque morto pode cair em qualquer lugar, nós o enterramos em São Gonçalo mesmo.
Ultimamente ando sentindo saudades de Rio Bonito e só não programo uma ida até lá porque desconfio que minhas saudades são daquela cidade de 1949 onde se ouvia a marchinha de carnaval “é com esse que eu vou” – sucesso daquele ano – e onde Quia matava porcos diante do olhar maravilhado de uma criança de seis anos.
Talvez eu tenha relacionado a morte causada pela chuva com aquela outra, causada pela vida.