Ontem - 5ª feira - foi dia de lembrar.
Lembrei de um bocado de histórias, mas sobretudo lembrei que papai tinha um amigo que consertava guarda-chuvas.
Um sujeito simples, tão pobre quanto nós mesmos, que sustentava ou tentava sustentar a família consertando guarda-chuvas.
Ao lembrar dele e da sua profissão - consertador de guarda-chuvas - me dei conta de que certamente não se consertam mais guarda-chuvas.
Aliás, apesar do nosso discurso sobre reciclagem, preservação do meio ambiente e quetais, estamos na era do descarte.
Sua geladeira está mal? Compre uma nova. Seu sapato furou? Compre um novo. Seu carro não dá no couro? Troque.
Jogue fora, troque, mude, substitua!
Mecânicos? Não existem mais. Agora temos umas pessoas armadas com um lap top. O lap top diagnostica o que não vai bem no carro, na máquina de lavar, sei lá! E o camarada troca. É trocânico.
Pois em Rio Bonito, nos anos quarenta do século passado, havia uma pessoa que consertava guarda-chuvas. Um homem bom, calmo e sereno que, como meu pai, além da sua profissão, digamos principal, escrevia jogo do bicho.
Lembrei dele e dessa nossa vida de desperdício até de discurso, porque alardeamos uma coisa e fazemos outra.
Descartando a possibilidade de contribuirmos para um mundo realmente sustentável.