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lembranças

Ontem - 5ª feira - foi dia de lembrar.

Lembrei de um bocado de histórias, mas sobretudo lembrei que papai tinha um amigo que consertava guarda-chuvas.

Um sujeito simples, tão pobre quanto nós mesmos, que sustentava ou tentava sustentar a família consertando guarda-chuvas.

Ao lembrar dele e da sua profissão - consertador de guarda-chuvas - me dei conta de que certamente não se consertam mais guarda-chuvas.

Aliás, apesar do nosso discurso sobre reciclagem, preservação do meio ambiente e quetais, estamos na era do descarte.

Sua geladeira está mal? Compre uma nova. Seu sapato furou? Compre um novo. Seu carro não dá no couro? Troque.

Jogue fora, troque, mude, substitua!

Mecânicos? Não existem mais. Agora temos umas pessoas armadas com um lap top. O lap top diagnostica o que não vai bem no carro, na máquina de lavar, sei lá! E o camarada troca. É trocânico.

Pois em Rio Bonito, nos anos quarenta do século passado, havia uma pessoa que consertava guarda-chuvas. Um homem bom, calmo e sereno que, como meu pai, além da sua profissão, digamos principal, escrevia jogo do bicho.

Lembrei dele e dessa nossa vida de desperdício até de discurso, porque alardeamos uma coisa e fazemos outra.

Descartando a possibilidade de contribuirmos para um mundo realmente sustentável.

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Comentários  3

  • Alexandre Silva 21 mai, 08:34

    Nos dias de hoje, consertar da muito trabalho....é melhor trocar. Cadê a Sustentabilidade????

    Abração,
  • Regisclei 26 mai, 07:10

    Quem sabe, um dia, volta a mania de se fazer coisa pra durar.

    Talvez quando a gente for obrigado aconsertar algo estragado que não dá pra trocar.

    Algo como o mundo...

    Será que aí a gente vai se tocar ?

    Abrazo!
  • claudia galli 1 jun, 10:44

    Infelizmente, é mais caro consertar do que trocar. A "cultura" do conserto já era. Tanto que fotografei com meu celular dia desses uma placa que dizia "conserta-se bolas". Fiquei pensando quantas bolas por mês o sujeito consegue consertar?
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