Em 1980, quando Brasilia completou vinte anos de fundação, participei do grupo que concebeu, planejou e executou sob contrato do Governo do Distrito Federal a ação comemorativa.
Normalmente era realizado um show de um cantor famoso e a presença do público era discutível. Alguns anos considerada boa noutras ruim.
Inovamos.
Resolvemos onvidar os habitantes da cidade para participar da comemoração. Fizemos isso usando rádio e TV - " se você nasceu em brasilia ou adotou Brasília como sua cidade venha diaxxx à Praça da TV declarar seu amor à cidade" - e divulgamos uma música - composta pelo Theo de Barros e pelo Edson Borges; o Passarinho - que seria cantada no evento.
Paralelamente, levantamos histórias de pessoas que viviam em Brasília e convidamos essas pessoas para gravar seus depoimentos sobre sua relação com a cidade, no seu local de trabalho. Escolhemos, se não me engano (escrevo de memória), quatro pessoas.
Gravamos os depoimentos e também convidamos essas pessoas para o evento da Praça da TV, onde elas compareceram caracterizadas como nos depoimentos.
Enquanto aconteciam os preparativos, distribuimos flyers com a letra da canção ,nos pontos de maior concentração de pessoas na cidade e tocamos a música nas Rádios en seguida ao convite para comparecer e cantar juntos.
Naquela época não havia uma canção conhecida louvando Brasília. Dizia-se que a cidade era "artificial".
Poucos acreditvam que alguém se desse ao trabalho de ir à Praça da TV para cantar seu amor a uma cidade fria e buracrática. Poucos acreditavam que houvesse quem amasse Brasília.
Remando contra a corrente, apostamos na existência desse amor pela cidade, porque sabíamos que gente que havia feito a vida, nascido ou re-nascido lá.
No dia marcado, cinquenta mil pessoas foram à praça da TV. Foi a maior concentração de público até a visita do Papa.
No meio da multidão nossos quatro personagens cantaram e curtiram a festa.
Depois montamos quatro comerciais mostrando os depoimentos dessas pessoas intercalados com imagens da sua participação no evento.
Um caso que talvez fosse considerado moderno hoje (?)
Provavelmente as peças (comerciais, spots de rádio, flyers) estão no acervo do Instituto Geraldo Alonso. elas comprovam que inovação não é necessariamente uma coisa nova.
É só uma questão do olhar (e da memória?)
PS - Não citei o nome dos colegas de trabalho porque posso esquecer alguém, mas éramos um grupo grande.