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segundo grupo

Vou tomar a liberdade de falar sobre planejamento.

Se parecer pretencioso me perdoem, mas não consigo resistir á tentação.

Tenho a sensação de que nós brasileiros, de um modo geral, somos avessos à atividade de planejamento. Julgamos o improviso como criativo e acreditamos que uma sequência de ações pode muito bem substituir a chatice do plano.

É aí que ficamos sujeitos às intempéries e creditamos ou debitamos os acontecimentos à Providência Divina.

Conheço dois bons exemplos de planejamento; as orquestras e as escolas de samba.

Uma reunião de músicos não configura uma orquestra, por mais competentes que sejam esses músicos. Uma reunião de sambistas não configura uma escola de samba por mais bambas que sejam esses sambistas.

Assim também, uma reunião de ações não configura um plano, por melhores que sejam as intenções de cada uma dessas ações.

As chaves do plano são - na minha opinião - propósito e coordenação.

Quando há um plano todas as ações além dos seus efeitos individuais servem à busca desse propósito e obedecem às políticas por ele sugeridas.

Na escola de samba, por exemplo, as alas são dispostas da forma que melhor servir para contar o enredo.

Todos os componentes têm um papel definido durante o desfile e se subordinam aos quesitos do regulamento.

Não há espaço para improvisos.

É por causa disso e do compromisso que todos os componentes tem com o propósito - que é receber nota 10 em todos os quesitos - que mais de treis mil pessoas cumprem o desfile, no tempo definido pelo regulamento, com ou sem atropelos de última hora.

Nem por isso se perde criatividade, alegria, beleza e se deixa de propor surpresas.

Um dia descobriremos as vantagens desse sistema para todas as atividades da nossa vida, particularmente as públicas e talvez então possamos deixar por conta da divindade apenas o que for de natureza divina.

Até lá vamos viver sendo rebaixados para o segundo grupo.

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Comentários  4

  • Ciro Costa 9 abr, 01:29

    deixar por conta da divindade apenas o que for de natureza divina.

    nada mais simpático e de fácil aceitação que os ensinamentos por barábolas, façamos então a nossa parte. Afinem cada um o instrumento. Que reja o mastro e que se leiam as partituras. porem nada disso sem ensaio. Não basta conhecer a música e preciso saber a que tom o cantor consegue chegar.
  • Maurício R. Gouvea 9 abr, 03:07

    Planejamento é algo que nunca fez parte da cultura do brasileiro, mas se pretendemos ser um país melhor precisamos mudar nossa postura.

    Excelente texto!

    abraços
  • Ana Carolina C. Santos 9 abr, 08:36

    Castelo
    Tô com você! Adorei seu texto.
    Adicionaria apenas que os planos também devem ser consistentes e trimestralmente revisados, pois muitas vezes o plano é alterado tantas vezes que se perde no meio do caminho e acaba virando também um plano de "retalhos". Flexibilidade e acertos no meio do caminho sim, mas perda de foco e drásticas e impulsivas alterações não cabem. Noto que algumas vezes as pessoas se afobam e confundem agilidade/velocidade com efetividade e revisão baseada em tendências concretas e fatos, e não em problemas pontuais. Um bom plano é aquele que mesmo sofrendo alterações no meio do caminho, mantem seu objetivo, essência e foco de execução. Bjs Carol
  • Ary Alonso 14 abr, 07:14

    Mestre Castelar, com todo o respeito aos ensinamentos do meu pai e do meu tio, se eu já soube alguma coisa sobre planejamento, aprendi com você.
    abraço, ary
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