Viajando esses dias, passei por Rio Bonito -RJ. Lendo as placas reencontrei nomes que falam coisa prá mim; Boa Esperança, Rio Seco (papai nasceu lá?), Morro Grande (mamãe nasceu lá). Tanguá, Cidade Nova..
Visitamos mamãe em Niterói. Ela está mesmo velhinha. Cansada desses 94 anos de luta. Criou Chico, eu e Maurício. Cuidou do papai que passou a vida toda sofrendo com a deficiência circulatória. Acabou de criar Manoel e cuidou de Maurício depois do acidente, ajudando a lidar com as sequelas pesadas.
Analfabeta fez com que todos nós chegássemos no mínimo ao segundo grau. Chico e Maurício ficaram por razões diversas e eu consegui o bacharelado em Direito.
Obteve a aposentadoria por invalidez para o Maurício e para ela própria por tempo de contribuição. Nunca se deixou deter por nenhum dos obstáculos que a vida, as escolhas dela (e algumas das nossas), criaram.
Agora está cansadinha. Lúcida ainda percebe as coisas e gosta de ironia, mas não se diverte mais como fazia antigamente.
Dos nomes que li nas placas um tem um significado particular. Braçanã.
Meio padrinho morava lá. Ele tinha um cavalo chamado Brinquedo que tinha uma estrela na testa.
Luiz Vieira fez a canção Menino de Braçanã, que a mamãe parece estar começando a cantarolar:
"é tarde eu já vou indo, preciso ir embora, até amanhã"