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Ferro de engomar

Sábado Ida e eu fomos a Niterói visitar mamãe.

Ela completou 94 anos em junho e está começando a ficar cansada.

Teve uma vida dura essa cabocla! Cuidou de animais na fazenda da família que a adotou (na verdade foi dada por vovó) e começou a fazer serviços na propriedade desde os quatro anos.

Lavou, passou. E, como diz a letra do pagode: "e mamãe quando era menina teve que passar, muita fumaça e calor no ferro de engomar".

Lembro dela soprando e balançando o ferro a carvão e das fagulhas saindo do ferro. Uma esteira de faíscas que não podiam cair sobre a roupa que estava sendo passada. Roupa branca, de "doutores.

Foi cozinheira de forno e fogão. Hotel, pensão, marmita, salgadinhos (Chico e eu entregávamos nos bares e vendíamos na feira de Neves aos domingos).

Mamãe acompanhou o fim de vovó (acabou com mais de 100 anos, embora não tivesse nem Certidão de Nacimento. O médico calculou), passou o susto do acidente e do coma de Maurício, encontrou papai morto numa manhã de 1983 e viu Chico ir embora num instante, caido na varanda num sábado das campeãs.

Agora Maurício não anda (sequelas do acidente) e ela está cansadinha. Lembra do quanto foi ativa e independente e se entristeçe com essa vida parada ao lado do filho sequelado e inválido.

Já comecei a sentir saudade dela.

Dona Eponina Conceição da Silva que nos educou no bom caminho e nos manteve limpos e despertos até que voássemos com nossas próprias asas e que durante toda a vida pediu a Deus que nos livrasse dos males do mundo.


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Comentários  2

  • Jorge Carrano 30 set, 02:11

    Dna. Eponina tem proteção espiritual total e absoluta. E sempre terá. O caminho dela será sempre iluminado.
    Um beijo para ela e um abraço amigo para você.
    Carrano, senior
  • Neuza Maria de Macena 30 set, 08:19

    Mario,
    Quando você escreveu sobre os cuidados que passaste a ter com seu pai já com idade avançada, e que agora nós (eu e meus 6 irmãos) temos com o nosso,"Seu Pedro" já me deixou deveras emocionada. Porém agora você me faz retornar no tempo, com as imagens de Dna. Déu minha mãe querida, com seus 71 anos, muito cançada, respondendo sempre brincando, que está pulando corda, quando se pergunta como ela está. Você me faz transcrever literalmente:
    "Lembro dela soprando e balançando o ferro a carvão e das fagulhas saindo do ferro. Uma esteira de faíscas que não podiam cair sobre a roupa que estava sendo passada."- os ternos de linho branco de "Seu Pedro"- Ela ainda pulava corda...
    Neuza Macena.
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