Dia 24 de agosto de 1954.
Getúlio Vargas, então Presidente da República, acusado por uma série de denúncias de corrupção e violência no seu governo. Sentindo-se pressionado e isolado, deu um tiro do peito.
Deixou uma carta, chamada de "carta-testamento". Onde dá sua versão dos fatos e declara enfático:
"Deixo a vida para entrar na história."
Lembro desse dia.
Eu estudava no Grupo Escolar Pinto Lima em Niterói - RJ. Estava na quarta série do Primário (como se chamava na época).
Naquele dia fomos dispensados e, no caminho de casa, fui ouvindo as notícias do Rádio. Discursos antigos do "Velho", com seu bordão tradicional: "Brasileiros! Trabalhadores do Brasil!".
Ainda lembro do timbre da sua voz, habituada às multidões dos comícios.
E, embora deplore o suicídio, sinto um profundo respeito pelo Homem capaz de um grande gesto, por causa das coisas nas quais acredita.
Escrevo para lembrar de um tempo onde tínhamos homens assim no Brasil. E Pedir a Deus que perdoe seus erros, preserve suas virtudes e faça valer a afirmação da carta-testamento de Geúlio Vargas:
"O povo, de quem fui escravo, não será mais escravo de ninguém!"