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Conversas de almoço

Hoje cedo lembrei do post abaixo que publiquei aqui mesmo em agosto de 2007.
Gostaria de ouvir opiniões.
Prá alimentar uma conversa sobre o velho tema das "novas agências".
Dia desses, num almoço com velhos amigos, acabamos discutindo o tema do novo modelo de agência.
Falamos da preocupação que temos, todos os integrantes do setor, com o desempenho das agências.
E da busca pelo novo modelo.
Lembramos dos velhos tempos, dos pioneiros, como Dr. Geraldo Alonso (vou citá-lo apenas, embora lembre de outros também, para evitar a injustiça de esquecer um deles. Além do que penso que o nome dele tem suficiente peso histórico é respeitável e respeitado, como ele gostaria de dizer para representar os outros.).
Descobrimos que temos uma visão parecida, de pelo menos alguns aspectos, dessa agência do futuro.
Para nós uma boa referência para essa nova agência, poderia ser o trabalho chamado de full service, nas décadas de 70 e 80.
A diferença pode estar no fato de que a agência do futuro deveria ser voltada mais para o desenvolvimento de Programas de Comunicação, integrando todas as disciplinas e todos os meios disponíveis, do que para a propaganda pura e simples.
Os grupos multidisciplinares de trabalho, que nos anos 70 e 80 eram chamados de atendimento integrado, deveriam ser liderados por um planejador (a) que pudesse ter uma visão do conjunto do Programa no tempo e no espaço, como também imaginar como esse determinado Programa dialoga com a Sociedade e seus diversos agentes.
Foi aí que eu lembrei do Dudu (diretor de harmonia da Acadêmicos do Grande Rio) e do seu trabalho para evitar que a Escola atravesse o samba.
Para mim esse é o papel do planejamento. Cuidar de harmonizar as diferentes manifestações, nos diversos meios, às características do relacionamento das pessoas com esses meios e ao andamento da Sociedade.
As campanhas seriam substituídas por esses Programas de longa duração, pensando mais em construção e manutenção de relacionamento do que em geração de impacto.
Os Programas seriam vivos, no sentido de flexíveis, condicionados às manifestações das pessoas.
As pessoas dialogariam cotidianamente com as marcas e as empresas.
As marcas passariam a atuar (já há as que atuam) integradas à cultura popular, respeitando as formas de expressão das gentes.
No desenvolvimento do conteúdo, abandonaríamos a hipérbole. Falaríamos sempre a verdade. Seriamos simples. Altruístas e intuitivos.
Nesse dia teríamos fundado uma nova estrutura que talvez nem se chamasse mais agência.
Aliás essa idéia também não é nova. Os mais antigos hão de lembrar da CIN Companhia de Incremento de Negócios que, na década de 70, já não se chamava agência. E que desapareceu, aparentemente tragada pela incompreensão da sua proposta, embora fosse uma ilha de excelência e um celeiro de craques do pensamento estratégico.

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Comentários  4

  • João Carlos Marchesin 18 jun, 04:59

    (paragrapho) Amigo Castelar, creio que para agencia do futuro, precisa ter pessoas pensando no futuro, vivendo. Você sitou Dr Geraldo Alonso, pela sua experiência e pela sua idade, tinha visão de futuro. O novo encomoda por demais as pessoas que não pensam da mesma forma. Agencia do futuro já deve começar com relacionamento e motivação, despertar na alma este desejo anseio de crescer e ir a frente. Seria muito bom ter idéias de agencia do futuro por departamentos que formaria esta tal agencia aqui neste blog. Sabe lá, ela não poderia existir ou até despertar a partir destas opiniões? Esta aberto...(ponto).
  • Rodrigo Westin 19 jun, 11:32

    Caros Castelar e Marchesin, acredito que as agências do futuro são as que estão crescendo neste confuso presente. Crescer significando construir um modelo de negócio que consiga conviver no mundo multinacional sem ser fagocitado por ele. Pensar no futuro é sustentar esse futuro. Antigamente pegava bem ser "ecológico", hoje pega mal não ser. Recentemente li que a Shell retrocedeu sua visão de futuro pela queda do barril de petroleo, voltando a investir mais em biocombustíveis do que em energias renováveis. Motivo: grana. Difícil isso, o pensamento sempre é mais lógico do que eco. Será que se cada agência tivesse um departamento sustentável ante-crise, tipo esquadrão ante-bomba, formado por bilógos, filósofos e antropólogos, ajudaria a segurança emocional do time pra tomar decisões finaceiras e sustentáveis?
  • Toninho Correia Lima 19 jun, 05:44

    Castelar,

    De tempos em tempos, surgem profetas de plantão que anunciam novos caminhos para a propaganda. Ora é a comunicação total, ora a integrada, ora a multidisciplinar e por aí vai. Ao longo da minha carreira de quase 25 anos já vi e vivi várias destas ondas.

    Você citou as agências de antigamente e eu tive o prazer de lembrar da velha Proeme, onde comecei a trabalhar. E lá todo mundo era multisciplinar desde criancinha. Diretor de arte fazia campanha,embalagem, fachada, fotografava, dirigia filme e dava idéia de promoção.

    Depois dessa época - fim de um tempo que receio não voltar mais - veio a época dos especialistas. Designer fazia design. Quem trabalhava com promoção só fazia promoção e assim por diante. Ou seja, quem era criativo tinha que anular parte do cérebro responsável por criar para propaganda, porque agora era um especialista.

    Bom,, muita água possou por baixo da ponte e com a chegada da internet essa questão novamente voltou à baila. Ser ou não ser multidisciplinar?

    Eu acredito que devemos retornar ao modelo de ontem para sermos a agência do amanhã. O mais importante deveria ser a idéia. Na palestra do Chuck Poter, da Crispin Poter & bogursky, ele fala justamente disso. Quando você sabe contar uma história, não importa meio que é utilizado.

    Back to the basics.

  • O Sombra 19 jun, 08:59

    Ora, ora, ora , eu pensava que só o Sombra sabia. Mas o Toninho Correa Lima também sabe.Baixou em mim o espírito do Presidente Lula e vou fazer uma comparação futebolistica. Nos anos 50, o WM.Ai resolveram recuar o ponta-esquerda, veio o 433. Depois, o 422, o 541 e de quando em ver uma revolução pouco duradoura como a laranja mecânica da Holanda.
    Ao final de cada jogo com qualquer sistema, o que sobra? O talento, a criatividade,o inusitado, o novo. Tudo isso é muito simples.Mas são muitos os que engessam essa simplicidade em nomes pomposos, em teorias complicadas, para esconderem sua própria falta de talento.
    Copio o post anterior: Back to the basics.

    O Sombra sabe.
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