O lançamento do livro no Rio, com a presença de amigos de muito tempo, as ausências (esperadas e inesperadas) e a conversa que se seguiu com Carrano, Sombra e Palhaço Voador, no paralelo do tema, com direito ao mambo "Cantareira", me deixaram nostálgico. Rio Bonito, Niterói, Rio, Cantareira (antiga companhia de transportes da baía da Guanabara), são meu back ground.
Essas lembranças me são caras porque me falam do caminho e do tempo que tem sido necessário para percorre-lo.
Na esteira dessas memórias, lembrei de um samba do Nei Lopes: "Tempo de Dondon", que é uma preciosidade, dessas que só aqueles que observam com sensibilidade e respeito o desenvolvimento das manifestações populares são capazes de produzir (licença Nei, prá copiar um trechinho):
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
Nossa vida era mais simples de viver
Não tinha tanto miserê, nem tinha tanto tititi
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
Propaganda era reclame e ambulância era dona assistência
Mancada era um baita vexame e pornografia era só saliência
Sutiã chamava-se porta-seios, revista pequena gibi, iiii...
No tempo que Dondon jogava no Andaraí.
Rock se chamava fox, e tiéti era moça fanática
O que hoje se diz que é xerox, chamava-se então de cópia fotostática
Motorista era sempre chofer, cachaça era Parati, iiii...
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
São coisas como essa que compõem meu pedigree (Ih Nei! Achei uma rima).