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Vovó Ponilha
Por:
Mario Castelar
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Por vezes não nos reconhecia e nos negava a benção, alegando que estávamos apenas provocando ao pedi-la. Mas rezou meu joelho quando todo mundo dizia que não tinha mais jeito e eu fiquei bom.
O que cozo?.
Nervo torto.
Aqui mesmo eu rezo, aqui mesmo eu cozo.
Agulha e linha virgens, cozendo um pedaço de algodão branco, posto sobre o lugar onde a dor me parecia mais intensa, foi o que resolveu um problema que um ano de tratamento no ambulatório da Companhia Internacional de Seguros não tinha resolvido.
Adorava homem; cada filho dela foi de um. Era sovina e, completamente, analfabeta; não distinguia nem notas e moedas.
Sabia uma porção de simpatias, um monte de remédios de ervas e rezava algumas doenças, tanto em gente quanto em bicho. Mameluca, tremendamente mal humorada e sem nenhum dente (perdeu todos numa das febres daquele tempo).
Sobreviveu à malária, à febre espanhola, ao impaludismo e sei lá a quantas mais. Sofria de erisipela e devia ter um metro e quarenta de altura. Morreu de velha. E no fim. Despediu-se de nós pacificada e risonha.
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