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Pulo de fiscal

Nós, os office boys da Cia. Internacional de Seguros, jogávamos porrinha, na hora do almoço, valendo maços de cigarro Continental sem filtro.

Comíamos no refeitório da Companhia. Depois íamos para o outro lado da rua e ficávamos disputando os maços de cigarro numa grande roda de porrinha.

Isso, quando não estávamos aprendendo a pegar e a saltar do bonde andando, com o Mário cabeça uma espécie de supervisor dos garotos e extremamente hábil nessa arte de descer de bonde andando que era largamente praticada pelos malandros verdadeiros.

Uma pessoa podia pegar o bonde andando num dos balaústres do carro elétrico, descer de costas, com o bonde andando quando o Condutor se aproximasse embarcar, com o bonde andando, no início do carro reboque, descer mais uma vez de costas e pegar de novo no final do reboque. Tudo isso para não pagar a passagem.

Mario cabeça me ensinou a pegar e saltar do bonde de frente, de letra com a perna trocada e de costas, realizando o valorizado pulo de fiscal.

Hoje, quando não existem mais bondes (exceto o bondinho do Pão de Açúcar e o bonde de Santa Tereza) esse meu know how duramente adquirido, nas lições severas de Mário cabeça, não vale dez reis de mel coado. Nem a técnica do pulo, nem o ditado popular.

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