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Conversas de almoço

A gente tem que integrar todo o corpo da Escola,
todos os componentes, cantando em consonância com o intérprete oficial,
dentro do ritmo e do compasso que a bateria toca.
A Escola tem que dançar, tem que brincar, tem que evoluir,
naquele ritmo da bateria ,no compasso da bateria e cantar todos igualmente.
Qual é a grande preocupação da harmonia?
É evitar que uma parte da Escola cante um pedaço do samba
e a outra parte cante outra parte do samba,
isso a gente chama de atravessar o samba
...atravessou.

(Dudu Diretor de harmonia da Acadêmicos do Grande Rio)



Dia desses, num almoço com velhos amigos, acabamos discutindo o tema do novo modelo de agência.
Falamos da preocupação que temos, todos os integrantes do setor, com o desempenho das agências.
E da busca pelo novo modelo.
Lembramos dos velhos tempos, dos pioneiros, como Dr. Geraldo Alonso (vou citá-lo apenas, embora lembre de outros também, para evitar a injustiça de esquecer um deles. Além do que penso que o nome dele tem suficiente peso histórico é respeitável e respeitado, como ele gostaria de dizer para representar os outros.).
Descobrimos que temos uma visão parecida, de pelo menos alguns aspectos, dessa agência do futuro.
Para nós uma boa referência para essa nova agência, poderia ser o trabalho chamado de full service, nas décadas de 70 e 80.
A diferença pode estar no fato de que a agência do futuro deveria ser voltada mais para o desenvolvimento de Programas de Comunicação, integrando todas as disciplinas e todos os meios disponíveis, do que para a propaganda pura e simples.
Os grupos multidisciplinares de trabalho, que nos anos 70 e 80 eram chamados de atendimento integrado, deveriam ser liderados por um planejador (a) que pudesse ter uma visão do conjunto do Programa no tempo e no espaço, como também imaginar como esse determinado Programa dialoga com a Sociedade e seus diversos agentes.
Foi aí que eu lembrei do Dudu (diretor de harmonia da Acadêmicos do Grande Rio) e do seu trabalho para evitar que a Escola atravesse o samba.
Para mim esse é o papel do planejamento. Cuidar de harmonizar as diferentes manifestações, nos diversos meios, às características do relacionamento das pessoas com esses meios e ao andamento da Sociedade.
As campanhas seriam substituídas por esses Programas de longa duração, pensando mais em construção e manutenção de relacionamento do que em geração de impacto.
Os Programas seriam vivos, no sentido de flexíveis, condicionados às manifestações das pessoas.
As pessoas dialogariam cotidianamente com as marcas e as empresas.
As marcas passariam a atuar (já há as que atuam) integradas à cultura popular, respeitando as formas de expressão das gentes.
No desenvolvimento do conteúdo, abandonaríamos a hipérbole. Falaríamos sempre a verdade. Seriamos simples. Altruístas e intuitivos.
Nesse dia teríamos fundado uma nova estrutura que talvez nem se chamasse mais agência.
Aliás essa idéia também não é nova. Os mais antigos hão de lembrar da CIN Companhia de Incremento de Negócios que, na década de 70, já não se chamava agência. E que desapareceu, aparentemente tragada pela incompreensão da sua proposta, embora fosse uma ilha de excelência e um celeiro de craques do pensamento estratégico.

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