Tenho a impressão de que em Rio Bonito tudo ficava na praça, perto da estação do trem. A igreja, a residência do prefeito e até casa onde passamos a morar, quando houve a tentativa de instalar na cidade uma filial da pensão que Tia Zula tinha em Niterói.

Um dia, andando apressado pela Avenue Montaigne, em direção à Place D’Alma, para tomar o Metro, em Alma Marceau, lembrei de tudo isso.

Eu pensava estar participando de um grupo que iria revolucionar a comercialização de produtos têxteis no Brasil e o relacionamento dos diversos agentes do mercado com as grifes de moda.

Foi um susto, perceber que o sujeito que estava olhando para Tour Eiffel, era o mesmo que entregava marmitas em Rio Bonito, vendia bijuteria na rua em Niterói, fazia mandados, ajudava a servir à mesa, lavava pratos, arrumava talheres e punha o guardanapo do Sr. Barcelos no seu suporte de madeira. Entregava pastéis nos bares do Fonseca e vendia salgadinhos na feira de Neves aos domingos.

Uma impressão de transitar por vários mundos. Dimensões dispersas. Onde se pode ser entregador de marmitas, pesquisador de mercado, viajante, lavrador, ajudante de garçom e camelô...

Foi aí que percebi o quanto Rio Bonito podia ser perto de Paris.